

Para fazer escolhas é preciso aprender a lidar com as incertezas. A lição é da psicopedagoga Maria Beatriz de Oliveira, pesquisadora e professora da Faculdade de Ciências e Letras do Câmpus de Araraquara. “O caminho se faz ao caminhar. Antes, você escolhia um curso e sua profissão já estava estabelecida. Agora, a carreira é construída ao longo da vida.”
Um médico, por exemplo, pode se consolidar como administrador de hospital. Muitos psicólogos concentram sua especialidade na seleção de recursos humanos, enquanto um músico pode se tornar um educador. “O papel profissional não está mais predefinido. Há uma multiplicidade de funções em cada carreira”, diz a professora, que coordena o serviço de orientação profissional daquele câmpus.
Muitos estudantes temem não passar no vestibular, não gostar do curso que escolheram ou não ser bem-sucedidos no trabalho. No fundo desse temor está o receio de não corresponderem às expectativas da sociedade, da família e de si mesmos. “O problema é que você tem que dar certo ontem”, resume o psicólogo Dinael Corrêa de Campos, professor da Faculdade de Ciências do Câmpus de Bauru e coordenador do serviço de ajuda profissional da unidade.
“A família é a causa de muito desespero. A pressão é grande e, em geral, velada”, relata o professor e psicólogo Paulo Motta, coordenador do serviço de orientação profissional da Faculdade de Ciências e Letras de Assis. “Sempre afirmo ao jovem que ele fez o que foi possível neste momento da vida. No ano que vem, talvez ele possa fazer mais.”
“Armadilhas” que podem brecar seu futuro
- Desconhecer o mercado de trabalho. As carreiras mais promissoras nem sempre são as mais tradicionais.
- Não perceber que o modelo socialmente propagado de felicidade e sucesso é só “um modelo”.
- Aceitar comparações. A história de cada pessoa é única.
- Ansiedade e pressa. É sempre possível mudar de ideia e recomeçar.
- Alimentar temores infundados, como o medo de chegar atrasado no dia da prova ou de dar “branco”.
- Considerar-se potencialmente excluído. Quem deixa de prestar vestibular por achar que é muito difícil entrar na Unesp ou em um curso mais concorrido está tirando de si a própria chance. |
A Unesp oferece orientação profissional em três unidades. As sessões são em pequenos grupos, acompanhados por alunos do último ano do curso de Psicologia. O público é variado: há desde pré-vestibulandos até estudantes universitários confusos com o futuro na profissão e trabalhadores de diferentes áreas repensando suas carreiras.
As atividades incluem exibição de filmes, representações teatrais, dinâmicas de grupo e análises. A realidade de cada profissão, projetos de vida e os conceitos modernos de felicidade e sucesso são alguns dos temas tratados. Há também palestras e encontros específicos com a família da pessoa que busca ajuda. Não é aplicado nenhum tipo de teste vocacional, método considerado ultrapassado pelos psicólogos.
Câmpus de Araraquara
Centro de Pesquisas sobre a Infância e a Adolescência
Duração: cinco meses, encontros semanais com duas horas de duração, de abril a agosto de cada ano. A unidade oferece, ainda, uma feira anual de profissões aberta à comunidade.
Inscrição: março e abril.
Contato: (16) 3301-6200 / 6295
Câmpus de Assis
Centro de Pesquisa e Psicologia Aplicada
Duração: cerca de 8 a 12 encontros para os atendimentos presenciais, que têm início em maio. Atendimentos a distância pelo MSN, às quartas-feiras, das 16 h às 20 h.
Inscrição: março e abril.
Contato: (18) 3302-5905, orientacaounesp@hotmail.com (MSN) ou pelo site www.assis.unesp.br/vestibunesp/
Câmpus de Bauru
Centro de Psicologia Aplicada
Duração: orientação permanente, de março a junho e de agosto a novembro, com 80 vagas por semestre. Reunidos em grupos, os jovens têm de 12 a 15 encontros semanais de duas horas cada um.
Inscrição: março e agosto.
Contato: (14) 3203-0562 / 3103-6090 |
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