
“Viver numa república nos auxilia a adquirir responsabilidades que muitas vezes não assumíamos em casa, a valorizar alguns confortos que pareciam triviais e a respeitar a opinião e o espaço do próximo”, resume Aline Caroline Souza (21), chamada pelos amigos de “Crééu”, ao analisar sua experiência de dividir uma casa, batizada de “Repicanha”, com duas colegas da Faculdade de Medicina do Câmpus de Botucatu.
Sob o mesmo teto que Aline, que veio de São Paulo, vivem hoje Ana Luiza Borges de Sá, a “Hirsuta”, de Campinas (SP); e Adriana Curtolo, de Araras (SP), conhecida como “Mitrava”, ambas de 22 anos. E ainda mora com elas a cachorrinha Filé – nome que brinca com o fato de Adriana ser vegetariana. Para as meninas, a convivência nem sempre é fácil, mas leva a muito amadurecimento e reforça a intimidade.
Divisão de custos
A república K-Baret, ocupada por sete alunos de Zootecnia do Câmpus de Dracena, além do cão Gumboro, foi criada para diminuir as despesas com habitação e alimentação de cada estudante. “É como um treinamento para a vida profissional. Aprendemos a tomar decisões e a buscar o diálogo entre pessoas que pensam diferente”, afirma o morador Felipe Ferracini (26), da cidade de Cotia (SP). “Como acontece em uma república, todos, depois de formados, precisarão ter ‘jogo de cintura’ para encarar um emprego e saber como se comportar em cada situação”, acrescenta.
Tarefas
Aline Lara Satyro Mota (19), Caroline Arisa Ferreira (20), Esthéfanie Andrigo Ferreira de Paiva (22) e Jéssica Brandão Beraldo (19), alunas do curso de Odontologia do Câmpus de São José dos Campos, construíram um sistema organizado para viver em um apartamento próximo ao câmpus e longe da família. “As tarefas são divididas e alternadas entre nós sem grandes dificuldades, o que nos tornou mais independentes e flexíveis”, diz Jéssica, originária de Taubaté.
Cumpiicidade
Com a conclusão do curso de Turismo se aproximando, Denise Kamada (24), de Campinas (SP), já sente saudades da república Sukita, que ajudou a fundar em 2007, nos arredores do Câmpus de Rosana. “Vale muito a pena. São quatro anos de aprendizagem, e, aos poucos, você cria laços e momentos que irá recordar durante muito tempo.”
A futura turismóloga dividiu contas, responsabilidades, horas de estudo e muitos momentos de cumplicidade com Annie Christine (24), de São Paulo, Aslan DeLira (23), de Teodoro Sampaio (SP) e Samira Daher (24), de Santana de Parnaíba (SP). Os quatro jovens recordam tudo o que fizeram juntos, além do convívio na Sukita: os projetos de pesquisa e extensão dos quais participaram, as viagens e, claro, as festas universitárias.
“Sair de casa, morar com desconhecidos, conhecer um lugar novo, parece ser uma mudança difícil para a gente se adaptar, mas, logo vem a intimidade, a amizade e a festa que é morar em uma república”, analisa Bruno Ogata (20), de São Paulo, aluno do curso de Ciências Biológicas do Câmpus do Litoral, em São Vicente. Ele divide um apartamento próximo à praia, batizado de “Trapiche”, com cinco colegas de curso. “Mais tarde, esta época se resumirá aos melhores anos de nossas vidas.”
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