O candidato que presta exame para ingressar na UNESP no Vestibular 2011 está concorrendo a uma vaga numa instituição consciente de que o desafio da universidade brasileira não está apenas em ampliar a formação superior para o mercado de trabalho, mas em fazê-lo com qualidade, pois, sem isso, nosso setor produtivo rumará para a obsolescência e a desvantagem na competitividade.
E o desafio da competitividade está também em promover a inovação. Para isso, o avanço na produção científica e tecnológica é fundamental na academia, da mesma forma que o envolvimento do empresariado na pesquisa e desenvolvimento (P&D).
Por ter clareza disso, a União Europeia se propôs, em 2006, no âmbito da Estratégia de Lisboa, a meta de alcançar neste ano o nível de 3% dos seus produtos internos brutos em dispêndios em P&D. Naquele ano, em que a média desse índice entre os países europeus foi de 1,8%, essa diretriz foi uma reivindicação do setor produtivo, e não da academia.
Para participar desse desafio, o foco na qualidade não é um capricho ou um propósito elitista, mas condição necessária para a inovação e a competitividade do país.
Apesar de todos os seus percalços, a universidade brasileira foi o setor que mais contribuiu para o grande crescimento da participação nacional na produção científica mundial, que já havia saltado da 20a colocação em 2000 para a 15a em 2007, e passou à 13a posição em 2008, à frente de países como a Holanda (em 14o lugar) e a Rússia (em 15o). A inclusão social não é, para a universidade, portanto, um desafio incompatível com o foco na qualidade.
Nos últimos anos, vários foram os exemplos de políticas institucionais da universidade pública com resultados positivos de ampliação não só do ingresso de alunos das escolas públicas de ensino médio, mas também de sua permanência.
Além do desafio da inclusão social, uma universidade com as características da UNESP tem também o desafio de colaborar com o desenvolvimento econômico e social, a sustentabilidade, a melhoria da qualidade de vida, a conservação ambiental, a superação da miséria e das desigualdades sociais.

Herman Jacobus Cornelis Voorwald é reitor da UNESP,
engenheiro mecânico e professor do Departamento de
Materiais e Tecnologia da Faculdade de Engenharia,
câmpus de Guaratinguetá.