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Treze rapazes em uma casa... Muitos pais já coçariam a cabeça, mães se preocupariam com a limpeza. Mas, na república “Vem Kikano”, os moradores e estudantes do curso de Administração do câmpus de Tupã aproveitam a experiência de morarem sozinhos para pôr em prática muito do que aprendem nas aulas da faculdade. Eles possuem uma planilha em computador que contém todos os gastos da casa e, a cada mês, uma pessoa fica responsável por recolher o dinheiro de todos e dar baixa na planilha. Ainda, os futuros administradores fazem um “caixa” em uma caixa, onde todo mês é depositada uma quantia em dinheiro, que será usada futuramente para pagar a reforma da casa, quando todos se formarem.
Com a mesma formação desde 2008, a “Vem Kikano”, formada por Alexandre Resende, 21 anos, de São Paulo (SP), Braian Renan Zevolli, 23, de Nova Granada (SP), Bruno da Silva Pinto, 19, de Penápolis (SP), Bruno Kashiwakura, 19, de São Paulo (SP), Carlos José Martins, 20, de Jacareí (SP), Fernando Ferreira Barato, 24, de Fernandópolis (SP), Guilherme Passos, 21, de Descalvado (SP), Ivan Carrenho Lhano, 26, de Bauru (SP), Lincoln Chuba Rodrigues, 21, de Presidente Venceslau (SP), Marcos Humberto Viana, 20, de José Bonifácio (SP), Marcos Vinícius Leite, 19, de Marília (SP), Matheus Montesião, 19, de Itaporanga (SP), e Rodolfo Augusto Manzoli, 22, de Olímpia (SP), organizam festas para arrecadar fundos para a casa.
“Quando entrei para a república, foi de grande surpresa ver que é possível dividir um mesmo espaço com muitas pessoas de forma organizada, aplicando os conhecimentos adquiridos no curso. Isso acaba refletindo em benefícios no convívio entre todos os moradores”, disse Lincoln, o último a entrar na casa.
A administração de custos e tarefas da casa também é um aprendizado para as integrantes da república “Rep Smile”, formada por alunas do curso de Odontologia da Faculdade de Odontologia, câmpus de São José dos Campos. “A ideia de se morar numa república torna-se atrativa principalmente pelo lado econômico, já que se consegue um baixo custo, dividindo-se as despesas”, conta Tainnan Marques da Silva, de 20 anos, que veio de Alumínio (SP). E o trabalho doméstico tem sua escala bem definida. “A divisão de tarefas é feita em ordem alfabética sendo, portanto, um dia a Bruna, no seguinte eu, depois a Perla e a Tainnan no quarto dia do ciclo, e assim por diante”, explica Laura Gomes Garbellotti Farsula, 20, de Sorocaba (SP).

A origem das repúblicas
A ideia de se formar a “Rep Smile” veio com a amizade. Bruna Pastro de Lara, 20, de Itapecerica da Serra (SP), Laura, Perla de Souza Costa, 19, de Ibiúna (SP) e Tainnan estudam na mesma classe. “Como possuíamos o mesmo interesse de formarmos uma república, saímos à procura de um apartamento. Quando encontramos um que agradou a todas, o alugamos e fizemos nascer a nossa”, diz Laura.
Já a república “Kamikaze”, composta por alunos da Faculdade de Engenharia, câmpus de Ilha Solteira, altera-se com o tempo de duração dos cursos. O integrante mais antigo na atual composição, Róbinson Gerardo Trindade Portilla Erazo, 21, de Nhandeara (SP), soube da vaga na casa por meio de anúncio no mural da faculdade. Ele, que cursa o quarto ano de Engenharia Mecânica, sentencia: “Depois de ver o mural, vim, vi e fiquei. E isto já há dois anos”. Enquanto o mestrando de Engenharia Mecânica Paulo Afonso Franzon Manoel, 26, de Bebedouro (SP), conheceu a casa por um recado em uma comunidade na rede social Orkut, e decidiu sair da pensão onde estava.
Também é comum os calouros escolherem suas repúblicas no dia da matrícula. “Conheci a república no dia da matrícula quando meu pai foi abordado por dois integrantes da casa enquanto eu me matriculava. Quando fui reencontrar meu pai eu já estava quase dentro da república, a partir daí foi só conhecer a casa e os outros moradores dela e decidir ficar”, comenta o paulistano Cássio Basile de Oliveira, 20, aluno do primeiro ano de Engenharia Mecânica. A “Kamikaze” tem entre seus membros o paraguaio Marco Antonio Mendieta Ávila, 25, intercambista da Engenharia Elétrica e Engenharia Mecânica, de Assunção, que foi estudar com um colega na casa e resolveu ficar.

Gestão solidária
Além da experiência adquirida na república, os estudantes do curso de Geografia do Instituto de Geociências e Ciências Exatas, câmpus de Rio Claro, e moradores da “Casa Comuna” pretendem espalhar as ações feitas por eles. Em um pequeno espaço de terra no quintal da moradia, Ana Carolina Rocha Spitaleri, 22, Gabriela Gomes de Sousa, 23, Lesley de Souza Silva, 24, Oliver Cauã França, 20, Stephanie Fenselau, 22, todos de São Paulo, e Harryson Roberto Oliveira, 25, de Campinas (SP), mantêm uma pequena plantação. “Uma das premissas para alugar uma casa, era que ela tivesse um espaço com terra para fazermos a horta. Não vamos limitar essa ação somente à casa, queremos expandir. Fazemos trocas de sementes e plantas com outras pessoas”, salienta Ana Carolina.
“Acho que é uma experiência de iniciação à vida adulta. Para mim, foi a primeira vez que fiquei longe de casa e foi muito difícil no começo. Você está inseguro com o novo lugar, com novas pessoas e novas condições. Porém, são esses desafios que impulsionam o jovem a crescer pessoalmente e desenvolver o domínio sobre sua vida”, conclui Róbison, da “Kamikaze”.