Neste Guia, o jovem encontra 168 descrições de profissões de uma única universidade. Em uma busca na Internet por “Profissão”, 4.200.000 referências apareceram na tela do computador, segundo o psicólogo Paulo Motta, coordenador da orientação vocacional do Centro de Pesquisa e Psicologia Aplicada (CPPA), da Faculdade de Ciências e Letras, câmpus de Assis. Já no verbete “Faculdade”, cerca de 5.820.000.
Em uma pesquisa realizada por Motta, 2.422 ocupações e cerca de 7.258 títulos sinônimos de atividades profissionais são especificados no Código Brasileiro de Ocupações (CBO-2002). Nos dados preliminares do Censo da Educação Superior de 2004, o número das Instituições de Ensino Superior (IES) é de 2.013 – 125% a mais do que as 894 instituições de 1995.
Os números e nomes podem confundir ainda mais aquele que, sobre pressão, precisa decidir por uma carreira na hora de prestar o Vestibular. “É difícil experimentar o novo, o desconhecido. Se escolher está ficando difícil, o que se pode fazer? Como a família pode ajudar? E a escola? Muitas opções realmente atrapalham quem escolhe? A Internet ajuda ou atrapalha com tanta informação? Muita informação confunde quem escolhe?”, questiona o psicólogo.
Algumas pistas – As respostas para essas e outras questões podem ser trilhadas em uma viagem pelas preferências do vestibulando. Identificar o que gosta de fazer, que tipos de filme o atraem, qual título e gênero de livros ou jogos de videogame o estimulam. Essas pequenas observações do cotidiano mostram algumas pistas da personalidade do estudante. Refletir também sobre as influências familiares, dos amigos, e mesmo das novelas sobre os gostos. Tudo isso contribui para o autoconhecimento. Por meio dessas ações, segundo a psicopedagoga Maria Beatriz de Oliveira, coordenadora do serviço de orientação vocacional do Centro de Pesquisas sobre a Infância e a Adolescência (Cenpe), da Faculdade de Ciências e Letras, câmpus de Araraquara, o jovem pode expressar sua própria identidade, e enxergar-se no mundo. “Enquanto eles não se veem, também não enxergam o caminho a seguir”, explica.
O excesso de informações não pode ser desculpa para não se procurar as fontes mais confiáveis sobre as profissões. Pois justamente a falta de informação so-bre as carreiras e as oportunidades de atuação que o mercado pode oferecer é a causa da ansiedade e angústia diante do momento de decidir entre tantas opções, para a psicóloga Adriana Meiado, coordenadora do serviço de orientação profissional do Centro de Psicologia Aplicada (CPA), ligado à Faculdade de Ciências (FC), câmpus de Bauru. Para superar essa contradição, é importante que o estudante converse com um profissional da área de interesse e, se possível, acompanhe a rotina de trabalho. Seguir as notícias sobre o mercado de trabalho para o curso escolhido e os dados econômicos ajuda também a projetar as condições de emprego para 4 ou 5 anos futuros, época em que esse aluno deve estar se formando.
Um outro ponto levantado por Adriana, é a projeção da vida futura, do projeto de vida. “É importante lembrar que a escolha da carreira é apenas uma das escolhas que este jovem fará para sua vida; e que se faz importante que esta esteja em consonância com o que ele deseja para si no futuro”, diz. Cada profissão desempenha um papel social, e vislumbrar um cenário anos à frente é localizar oportunidades para seu desenvolvimento e também da comunidade.
Comunicação e caminhos – De novo os excessos não parecem ajudar aqueles que precisam conversar sobre suas dúvidas no momento do vestibular. Redes de relacionamento em abundância, conectividade permanente, celulares, blogues, vídeos e fotos... Toda essa infinidade de meios de comunicação, e o jovem parece não saber se expressar, falar claramente sobre um projeto. A fala deve ser trabalhada e aprimorada pelo estudante que deseja atingir seus objetivos, conforme Renato Fonseca de Andrade, assessor de Planejamento do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas – São Paulo). “No mundo de hoje, a comunicação é extremamente valorizada. Quem sabe apresentar seus projetos de forma clara e sedutora, tem sucesso”, destaca.
Quem sabe se expressar clareia seus próprios caminhos – O desenvolvimento da comunicação é ponto crucial na carreira de qualquer profissional, independentemente da área de atuação, para a consultora de carreira da Thomas Case Associados e da Catho RH (recursos humanos) Sueli Martines. “Hoje não basta ter boas ideias, é preciso saber ‘vender’ seus projetos, isto é, mostrar todo o potencial deles. Com o desenvolvimento da comunicação, desenvolvemos o relacionamento, o trabalho em grupo, e com parceiros, mesmo que em outras línguas”, diz.
Fonseca aponta algumas características trabalhadas nas disciplinas de Empreendedorismo dadas nos cursos de graduação da Unesp, em parceria com o Sebrae, que auxiliam o jovem no mercado de trabalho. “O Empreendedorismo desenvolve a proatividade, o conhecimento de ferramentas administrativas e, sobretudo, a elaboração de um plano de negócio. Estes conhecimentos dão a oportunidade de abrir negócios próprios, como também de se destacar dentro de uma grande empresa”, conclui.
Antes de se munir de boas informações e realizar uma busca do autoconhecimento, o jovem deve escolher por decidir. O caminho pode ser angustiante, mas o final pode ser bem diferente. “Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar”, canta o compositor Siba, nascido no Recife.