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José Walter Canôas
No século XX, a área de Humanidades sobreviveu a, por exemplo, duas grandes guerras mundiais e outras tantas catástrofes econômicas, políticas e sociais. Agora, já vividos oito anos do século XXI, tem encontrado imensas dificuldades para entender como sair do século que formalmente acabou, mas que teima em continuar por causa das permanências históricas, cujas formas desafiantes permanecem a nos perseguir como realidades concretas.
As Humanidades têm sempre a pretensão, a curiosidade e o alcance de analisar explicativamente e transformar concretamente a vida, que tem uma referência histórica para os seres humanos, construtores de sua trajetória em um processo contínuo, instigante e real.
Com as Humanidades, é possível investigar e desvendar a realidade do mundo que se refere ao homem, pois transformar a natureza, a sociedade e a si mesma é a sina da construção humana.
A juventude brasileira é identificada no Censo 2007/FIBGE/PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio como sendo os 48 milhões de indivíduos que compõem a faixa etária populacional entre 15 e 28 anos. A pesquisa indica que 99% acreditam na salvação divina e muito poucos (12%), na Ciência.
As Humanidades, com a força de suas metodologias, permitem compreender e atuar sobre esse imaginário aparentemente povoado por crendices, ingenuidades e irrealismo, próprios de uma concepção de vida e de valores culturais peculiares, se comparados à mentalidade da juventude de outros países denominados “desenvolvidos”.
Assim, haja filosofia na vida cotidiana para o ajuste axiológico dos referenciais de valores verdadeiramente humanos, pois planetários; dá-lhe sociologia para refinar a análise do movimento dos homens nas suas relações sociais objetivadas em uma sociedade que enxerga no capital apenas uma unidade de medida.
Afinal, são necessárias muita política e ética para a construção de uma outra maneira de se viver, mais feliz e articulada planetariamente segundo uma história humana em processo de contínuas mudanças nesta era de complexidades.

José Walter Canôas é assistente social e professor titular da Faculdade de História, Direito e Serviço Social da UNESP, câmpus de Franca.