
Carlos Roberto Grandini
Para estudar Ciências Exatas tenho que ser um “gênio” em Matemática e Física? A resposta é não, mas um bom conhecimento nestas áreas e mais em Química é de fundamental importância para quem quer se dar bem na área.
As Ciências Exatas incluem cursos de Ciências Básicas, Engenharias e Informática, além das Licenciaturas. Os profissionais formados na área de Ciências Exatas têm obtido bastante sucesso no mercado, podendo competir em condições de igualdade com profissionais formados pelas melhores instituições do País. Já existem cursos, inclusive, com alunos atuando no Exterior.
Na maioria dos cursos, o estudante inicia cursando um período composto por disciplinas básicas das áreas de Matemática, como Cálculo Diferencial e Integral e Geometria Analítica; Física, como Mecânica, Calor, Termodinâmica, Eletricidade e Óptica; Química, como Química Geral e Inorgânica e Química Orgânica, além de disciplinas na área de Informática e Estatística.
No segundo ciclo, geralmente a partir do segundo ano, têm início as disciplinas profissionalizantes, fase em que o aluno irá cursar disciplinas mais específicas e de conhecimento mais aprofundado na carreira escolhida.
Porém, a formação do aluno, independentemente da carreira escolhida, não está restrita à sala de aula. Os cursos da área de Ciências Exatas são estruturados para fornecer ao futuro profissional uma formação abrangente, amparados por projetos pedagógicos consistentes, que além de formação sólida e de qualidade na área, também fornecem princípios de cidadania e ética. Neste sentido, os egressos saem, sem dúvida nenhuma, preparados para os desafios que vão encontrar no mercado de trabalho.
A carência de professores, em especial de Física, Química e Matemática no Brasil é muito grande. Segundo dados do Ministério da Educação existe no Brasil um déficit de mais de 100 mil professores destas áreas e os cursos de licenciatura têm contribuído de maneira bastante forte para diminuir este déficit.
Apesar de pouco valorizado nos dias de hoje, o trabalho do professor é grandioso. Não há como ter bons pesquisadores, laureados cientistas, doutores bem-sucedidos, engenheiros de primeira linha, sem que haja por trás uma sólida formação, formação essa que tem início ainda nos bancos das escolas, bem antes do ingresso nas universidades.
Além das atividades formais do curso, os estudantes que optam por carreiras da área de Ciências Exatas realizam atividades extraclasse dentro da própria Universidade ou fora dela, por intermédio de estágios extracurriculares ou desenvolvendo projetos de iniciação científica e extensão universitária, complementando sua formação e adquirindo experiência, que será de fundamental importância para sua inserção no mercado de trabalho ou ingresso em programas de pós-graduação.
Outra atividade que vem crescendo nos últimos anos é a participação em empresas juniores, onde os futuros profissionais podem prestar serviços diversificados, como a elaboração de projetos, consultorias e assessorias, que contribuem sobremaneira para seu aprimoramento profissional.
O mercado de trabalho é amplo e está em franca expansão e aquecido. Muitos estudantes formados pelas Engenharias estão sendo contratados antes de concluírem seus cursos, devido à carência de bons profissionais. Este fato é bastante corriqueiro também nas carreiras de informática.
Nas Ciências Básicas, o mercado ainda se compõe principalmente de atividades de desenvolvimento de pesquisa
científica e tecnológica, concentradas em universidades e institutos de pesquisa. Porém, nos dias atuais é “questão de vida ou morte” inovar na indústria, e para isso o conhecimento de físicos, químicos, engenheiros e geólogos é muito bem-vindo.
Carlos Roberto Grandini é físico, mestre e doutor em Física Básica pelo Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP), livre-docente pela UNESP, onde leciona na Faculdade de Ciências, câmpus de Bauru e Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Materiais (POSMAT).
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