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Depois do ensino médio e dos cursos pré-vestibulares, os jovens começam a preencher fichas de inscrição para os processos seletivos das universidades e faculdades. Qual curso escolher entre tantas opções, palpites e opiniões de pais e amigos? Para muitos, a escolha não é fácil e traz momentos difíceis.
Segundo Idamar Carpinelli, orientadora vocacional do Ciee – SP (Centro de Integração Empresa-Escola – São Paulo), a primeira etapa a ser vencida pelo adolescente que vai decidir por uma profissão é se conhecer. Quem ele é, o que lhe desperta o interesse e como ele se imagina dentro de 10 ou 15 anos são pontos importantes para definir o caminho a ser tomado
“Esses jovens, cada vez mais prematuramente, são obrigados a escolher a profissão. Contudo, sofrem muitas influências dos pais, professores, amigos e da mídia. Por isso, é importante que eles façam reflexões para o auto-conhecimento e tentem se imaginar daqui a uma década naquela profissão”, diz.
As ilusões e fantasias sobre as profissões são as próximas barreiras a serem derrubadas para que a decisão seja mais condizente com o perfil do jovem, de acordo com Paulo Motta, coordenador da orientação vocacional do Centro de Pesquisa e Psicologia Aplicada (CPPA), da Faculdade de Ciências e Letras, câmpus de Assis. “A exposição na mídia de certos profissionais, como âncoras de telejornais, e a ênfase constante na necessidade de mercado por determinados profissionais como engenheiros, podem deturpar a escolha desse estudante”, explica.
Informar-se sobre as profissões, seria a maneira de não se iludir. Motta e Idamar apontam para a necessidade de o jovem conversar com um profissional formado e, se possível, acompanhar por um dia a rotina de trabalho. O psicólogo destaca também a necessidade de saber como está o mercado de trabalho para o curso escolhido. “Há mudanças rápidas. Profissões que estão hoje na moda podem não estar mais quando esses alunos se formarem, em 4 ou 5 anos”, comenta.

Construindo uma carreira
Para lidar com as transformações constantes do mercado de trabalho, o vestibulando precisa encarar o curso de graduação como um passo para a construção de uma carreira. “O estudante de hoje deve ser orientado para aprender a lidar com a instabilidade e as incertezas. Para isso, ele tem que se aperfeiçoar constantemente e desenvolver habilidades dentro do mercado. É importante entender que uma carreira se constrói ao longo dos anos, com as experiências e decisões tomadas”, ressalta a psicopedagoga Maria Beatriz de Oliveira, coordenadora do serviço de orientação vocacional do Centro de Pesquisas sobre a Infância e a Adolescência (Cenpe), da Faculdade de Ciências e Letras, câmpus de Araraquara.
Para Sylvana dos Santos Rocha, gerente técnica de estágios do Ciee-SP, ao encarar a graduação como uma formação básica, o estudante adquire a consciência de que estudará pelo resto da vida. Dentro dessa perspectiva, o estágio durante o curso universitário faz parte do processo educacional e é uma ferramenta para a formação do profissional. “Ao vivenciar situações reais de trabalho, o aluno desenvolve competências e habilidades mais direcionadas à profissão. Também entra em contato com os valores éticos, comportamentais da categoria”, explica.
O estágio pode servir também para validar, ou não, a escolha feita. “Ao confrontar a realidade com as expectativas, o aluno identifica se os valores que encontra estão de acordo com o papel que ele pretende desempenhar na sociedade”, aponta Sylvana.
Caso a decisão não seja a melhor, para a psicopedagoga Maria Beatriz, esse não deve ser um momento de desespero. “Ele deve recomeçar. Mas, com mais experiência e outros saberes, poderá tomar outros rumos”, diz.

Valores e atitudes
“O trabalho que faço tem conse­qüências na sociedade”, lembra a psicóloga Norma Garbulho, coordenadora do serviço de orientação vocacional do Centro de Psicologia Aplicada (CPA), da Faculdade de Ciências, câmpus de Bauru. “Muitas vezes, o estudante não pensa em como o seu trabalho pode interferir na vida de outras pessoas”, complementa.
Para ela, o adolescente, ao se decidir pelo curso, deve pensar que tipo de profissional pretende ser e como concebe o compromisso social da categoria escolhida. Ter um projeto que vá além do individual e que considere o contexto social seria fundamental para alterar esse quadro.
“Para isso, é preciso coerência, reflexão e competência para compreender o mundo para além dos fenômenos que nos rodeiam. Significa buscar compreender a gênese dos acontecimentos e buscar um sentido e um significado no trabalho que ultrapassem a mera obtenção de sucesso, prestígio e dinheiro”, afirma.
O imediatismo também é criticado por Emerson Moraes Vieira, gerente de Educação do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas – São Paulo). “O importante para o estudante é vislumbrar o cenário futuro e não pautar sua decisão apenas pelo momento presente. Assim pode enxergar novas oportunidades”, orienta.
Vieira coordena a implantação da disciplina de Empreendedorismo em instituições de esnsino superior do Estado de São Paulo. Na Unesp, a disciplina já é oferecida em diversos cursos. “Ao levar a cultura empreendedora para o universitário, pretende-se que ele desenvolva capacidades fundamentais para as novas relações de trabalho, como a criatividade e a inovação. Ele deve encontrar oportunidades onde ninguém vê. E, ao fazer isso, desenvolve a si mesmo e à economia de sua região”, salienta.