O desenvolvimento tecnológico, a globalização e a distância cada vez menor entre os povos, por conta dos avanços nas comunicações, geraram a necessidade de profissionais da área de Relações Internacionais (RI). Isso ocorre tanto na esfera pública quanto na área privada, mas principalmente no chamado terceiro setor, com as organizações não-governamentais (ONGs) em primeiro plano.
A exigência pela presença do graduado em Relações Internacionais tem se tornado uma necessidade desde a origem dessas novas organizações. O mercado de trabalho encontra-se em expansão sobretudo devido às possibilidades abertas pela atual política externa do Brasil, principalmente no que toca ao Mercosul, à União Européia e aos países asiáticos.
Por isso, o graduado em Relações Internacionais deverá ser preparado para trabalhar em instituições nacionais e internacionais, empresas privadas, na mídia, em agências governamentais, em ONGs, empresas de consultoria, instituições financeiras e sindicatos, além de um possível ingresso na carreira diplomática. Existe ainda a perspectiva de uma carreira acadêmica, que vem se consolidando com a ampliação dos programas de pós-graduação no País.
Para ingressar nessa promissora carreira, é essencial que o candidato saiba que o curso de Relações Internacionais não forma diplomatas (um profissional do Estado) e nem negociadores comerciais (Comércio Exterior). A preocupação do profissional de Relações Internacionais é mais ampla, e tem por objetivo as negociações em níveis superiores, como a formulação de políticas, seja para empresas, organizações não-governamentais ou governos.
É também importante que o candidato esteja atento às mudanças da política mundial e às implicações que elas suscitam. Entre essas implicações estão os direitos humanos, o meio ambiente, a tecnologia, o narcotráfico, as migrações, os conflitos étnicos e a exclusão social. Por isso, é fundamental que esse profissional esteja em constante atualização.

Na UNESP

Dois cursos para os negociadores do futuro

Os dois cursos de Relações Internacionais oferecidos pela UNESP são novos, mas bem estruturados. O de Franca começou a ser oferecido em 2002 e forma sua segunda turma em 2006. O curso de Marília é ainda mais recente; foi implantado em 2004. As diferenças entre os dois estão apenas nas ênfases disciplinares, isto é, negociações e política, em Franca, e o aspecto multidisciplinar, em Marília. As atividades de pesquisa e intercâmbio estão no mesmo patamar nos dois campi.
Em Franca, o curso privilegia o ensino voltado para a pesquisa e para a negociação na solução de conflitos, particularmente na área política. Para isso, o aluno tem à disposição um Laboratório de Investigação e vários centros e grupos de pesquisa, além de três projetos bastante desenvolvidos: o Observatório de Defesa e Forças Armadas (trabalho conjunto de Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Bolívia), o Observatório de Política Externa Brasileira e o Grupo de Cenários Prospectivos. O curso mantém, ainda, a Orbe, empresa júnior de Relações Internacionais.
Em Marília, a preocupação do curso é com a formação multidisciplinar do aluno, a partir de matérias como Política, Direito, Economia e História, e tendo interfaces com as demais áreas do conhecimento.
Visando complementar a formação acadêmica dos alunos, são oferecidas atividades de ampliação de leitura e de discussão por meio dos grupos de estudo, institucionalizados, com os temas "Economia Mundial e a China", "Cultura Oriental" e "Cultura e questões de Gênero". A FFC/Marília mantém intercâmbio acadêmico com países, em especial do Cone Sul.
Em 2005 a unidade de Marília instalou a Sage – Empresa Júnior de Relações Internacionais, que já iniciou seus trabalhos junto à comunidade, e está em andamento o projeto de criação da mini-OEA, atividade que contará com uma sala-ambiente, tipo laboratório, específica para o curso e que se encontra em construção.
Em parceria com o curso de RI de Franca, a unidade de Marília organiza anualmente eventos científicos, como a "Semana de Relações Internacionais", que objetiva a integração da graduação com a pós-graduação, o ensino e a pesquisa, e seminários temáticos, visando a ampliação e a discussão de temas contemporâneos.