

A escolha por uma universidade muitas vezes leva o estudante a ter de mudar de cidade, de Estado ou mesmo de país. Para viabilizar essa mudança, os alunos agrupam-se em repúblicas – conjunto de estudantes que vivem em uma mesma casa – ou procuram as moradias estudantis oferecidas pela UNESP. Existem diversas formações de repúblicas e moradias: elas podem ser habitadas apenas por garotas ou por garotos, como também podem ser mistas, com moradores de ambos os sexos.
Inicialmente, um dos principais motivos que levam os estudantes a dividir um espaço é poder fazer o mesmo com as despesas. Com o tempo, porém, percebem que morar com colegas de faculdade pode ser uma experiência muito enriquecedora. “No início, o objetivo era gastar menos. Hoje, gosto de morar em república por causa da convivência”, diz o estudante de jornalismo Giovani Giocondo, o “Gígio”, 21 anos, de Lavras, Minas Gerais. Gígio está tão integrado à vida em grupo que é considerado o cozinheiro oficial da república “Chiapas”, em Bauru. Na casa, com seis quartos e cinco banheiros, vivem 11 meninos e a cadela Luana, da raça labrador, prestes a dar à luz. Para dar conta da limpeza de uma casa tão grande, os moradores dividem as tarefas em equipes. Os integrantes da equipe Verde são responsáveis pela limpeza das partes internas da casa, e os da equipe Marrom limpam o lado de fora. A divisão nem sempre é cumprida, mas isso não é problema. A única regra de limpeza seguida à risca é a de arrumar a casa quando os pais de um dos moradores aparecem para uma visita.
Respeito e solidariedade
Embora a idéia de conseguir sossego em uma casa onde vivem muitos moradores possa parecer impossível, as alunas do Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo, garantem que quando o assunto é estudo, além de haver respeito pelo espaço da outra, há também uma constante troca de idéias, inclusive entre alunas de cursos diferentes. “Trazemos discussões dos nossos cursos para dentro de casa, onde acabam acontecendo trocas interessantes”, diz a estudante de artes plásticas Roberta Fialho de Abreu, 29 anos, paulistana da zona leste da capital, que vive na moradia da UNESP, em São Paulo, com outras nove meninas. Elas dividem uma casa com três quartos, dois banheiros, uma cozinha, uma sala e uma garagem, que foi transformada em ateliê para as artistas.
Ainda assim, quando o assunto é convivência, nem todos os momentos são agradáveis. Cada indivíduo, com a sua personalidade, os seus hábitos e os seus horários, tem de se adaptar à rotina dos outros, que muitas vezes é completamente diferente.
A melhor maneira de resolver as diferenças é com muita conversa, tolerância e até uma porção de bom-humor. “No bloco onde eu moro tinha um menino que incomodava todo mundo, mas com o tempo isso virou até piada coletiva”, diz o aluno de agronomia Daniel de Oliveira, o ”Gasparzinho”, 25 anos, de Franca, Interior de São Paulo, que vive na moradia mista da UNESP em Botucatu. Na moradia, onde todos os novos habitantes recebem apelidos ao chegar, duas grandes casas são separadas por blocos. Cada bloco conta com uma sala e dois corredores, cada um destes com quatro quartos, dois banheiros e uma cozinha. Com cerca de 60 estudantes, tanto meninos quanto meninas vivendo nessa moradia, a troca de experiências e a solidariedade são constantes. “Quando cheguei aqui, de Bebedouro, Interior de São Paulo, eu não sabia nem acender o fogão. Com a roupa, então, sofro até hoje. Foram as meninas que me ajudaram bastante”, diz o estudante de física médica Ricardo Goulart, o “Elétron”, 21 anos, que mora em um dos blocos mistos da moradia de Botucatu.
Conflitos e risadas
E não é só de estudo e trabalho que vivem os alunos das repúblicas e moradias. Na “Chiapas”, eles fazem churrascos e festas para se divertir, tomando sempre o cuidado de não perturbar a vizinhança. Em uma dessas festas, o estudante de jornalismo Aléxis Gois, o “Baiano”, 23 anos, promoveu um jantar com comidas típicas da Bahia – como moqueca, escondidinho e vatapá – para seus colegas de república. “Eles gostam de comer, e eu acabo matando a saudade da comida de lá, que me faz muita falta”, diz o aluno de Feira de Santana, na Bahia.
Entre conflitos e risadas, o estudante que está longe de sua casa busca a solidariedade e a amizade daqueles que estão mais próximos, fazendo com que a república ou a moradia torne-se seu segundo lar. “Conquistei amizades muito fortes na moradia. Nas férias sinto muita falta daqui”, diz a aluna do IA Gláucia Carvalho Gomes de Abreu, 23 anos, de Americana, São Paulo. Também nessa moradia, a aluna de intercâmbio Mariana Serbent, 25 anos, de Mendoza, cidade do interior da Argentina, aproveita as possibilidades culturais que a metrópole oferece, apoiada na amizade das alunas brasileiras com quem vive. “A idéia do intercâmbio é justamente a troca, e na moradia tenho contato com pessoas que trabalham e estudam as artes. Além disso, estar em um país diferente não é fácil, e as meninas me ajudam com tudo, especialmente com a língua. Não sei o que faria sem elas”, conclui.
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