A América Latina, inclusive o Brasil, vem vivenciando, desde os anos 1990, um amplo movimento para a formação de um médico crítico, criativo, responsável, ético e mais humano. As instituições estão buscando um ensino que valorize a eqüidade e a qualidade da assistência, a eficiência e a relevância do trabalho em saúde.
No caso específico da educação médica brasileira, a mudança significa formar médicos com habilidades adequadas às exigências da carreira profissional, com responsabilidade, curiosidade científica e participação ativa em diversas atividades, como a construção do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso lhes permitirá recuperar a dimensão essencial da profissão, isto é, a relação entre os seres humanos.
A base do ensino médico é geralmente voltada aos avanços das novas e cada vez mais diversificadas tecnologias de diagnóstico e tratamento de enfermidades. Doenças até há pouco tempo fatais, hoje são consideradas e tratadas como doenças crônicas, aumentando a expectativa de vida em muitos anos. Este sucesso na manutenção da vida, no entanto, não tem sido acompanhado do desenvolvimento da habilidade médica de ouvir, cuidar e compreender a vulnerabilidade dos pacientes diante do sofrimento e do adoecer.
Para construir um ensino que reveja criticamente o modelo centrado no hospital e no ensino das doenças de maior complexidade, a Faculdade de Medicina do campus de Botucatu da UNESP se propôs a trilhar o caminho da diversificação de cenários, abrindo-se para uma formação na atenção primária e secundária, além de manter as atividades em seu Hospital de Clínicas de atenção terciária.
Esta proposição tem como objetivo uma formação que privilegie o contato e as ações educativas, bem como o atendimento aos problemas de saúde mais prevalentes na população. Em algumas áreas básicas como Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria, Saúde Pública e Clínica Médica (Geriatria e Pneumologia) os alunos atuam no Centro de Saúde Escola de Botucatu (unidade própria da universidade em convênio com a Secretaria de Estado da Saúde), nas Unidades Básicas de Saúde e na Maternidade do Hospital Regional Sorocabano, atendendo pacientes e comprovando na prática a importância do atendimento médico nos diferentes níveis de complexidade e a incorporação de temáticas essenciais frente ao quadro de saúde de nossa população, como o envelhecimento e a humanização do parto.
O médico pode atuar em consultório particular, em convênios e cooperativas médicas, em instituições públicas ou dedicar-se à docência e à pesquisa. O trabalho no pronto-socorro, atendendo urgências e emergências, costuma marcar os primeiros anos da carreira, por isso as atividades nessa área têm sido valorizadas nas disciplinas ministradas durante o regime de internato do curso de graduação.

Na UNESP

Uma longa tradição de credibilidade na área médica

A UNESP oferece o seu curso de Medicina na Faculdade de Medicina (FM), campus de Botucatu. Seguindo a tendência das melhores escolas do mundo, a FM está permanentemente envolvida em projetos que buscam impulsionar o desenvolvimento de atividades inovadoras no ensino de profissões da saúde.
O curso é ministrado em seis anos, sendo que nos primeiros anos os alunos entram em contato com disciplinas da área básica, como Anatomia e Fisiologia Humana, com disciplinas que enfocam a Semiologia, a Propedêutica, a Fisiopatologia e a Terapêutica, e com atividades do programa de Interação Universidade–Serviço–Comunidade (IUSC), que se iniciam no primeiro ano do curso.
Os dois últimos anos são em regime de internato na Maternidade do Hospital Regional Sorocabano, no Centro de Saúde Escola-Unesp, nas Unidades Básicas de Saúde do Município de Botucatu e no Hospital de Clínicas da FM, que realiza, anualmente, cerca de 400 mil consultas ambulatoriais, 1.200 partos e quase 11 mil cirurgias de pequeno e grande porte.
A Faculdade de Medicina também oferece programas de residência médica, com duração variável de dois a cinco anos, de acordo com a área escolhida. É realizado, anualmente, concurso público para médicos de todo o País para o ingresso nesses programas. Há, ainda, nove programas de pós-graduação stricto sensu, com mestrado e doutorado, para os que desejam prosseguir os estudos após a residência médica.
A interação da FM com a comunidade ocorre em diversos projetos: curso pré-vestibular para pessoas carentes, o Cursinho Desafio, Médicos da Alegria, Projeto de alfabetização de adultos por meio da educação em saúde, atividades no Centro de Saúde Escola com os cidadãos de Botucatu e ações conjuntas com centros de saúde municipais, voltados ao atendimento da população mais carente da região, além de outras atividades.