A comunicação humana é o principal objeto de estudo do curso de Letras. Nele, o aluno analisa os diferentes aspectos da linguagem, que vão da gramática de uma língua – sua história e estrutura – até a mais alta expressão cultural, artística e lingüística de um povo, a literatura que ele produz.
Um estudante formado em Letras pode trabalhar como professor de língua e literatura em escola pública ou particular. O curso também prepara pesquisadores, e alguns utilizam o conhecimento de português e língua estrangeira para trabalho de secretariado especializado. Outros exercem a atividade de revisor de textos em agências de publicidade e editoras de livros.
Há ainda opção para caminhos alternativos, como o de roteirista de cinema, o de preparação de atores, entre diversas áreas possíveis. Ou seja, a rigor, o graduado pode criar habilidades para trabalhar com línguas, literatura e textos em geral, com a possibilidade, por isso, de operar em áreas diversas.
A grande maioria, no entanto, opta pelo magistério, pois, com o crescimento do ensino médio e do ensino superior privado, o mercado de trabalho vem absorvendo rapidamente os profissionais da área. Ao mesmo tempo, observa-se o aumento do interesse de estrangeiros pelo estudo da língua portuguesa falada no Brasil. Isso favorece novas oportunidades de criação de cursos e de produção de material didático.
Existe, ainda, a chance de inserção no mercado de trabalho por meio de assessorias culturais. Essa atividade é comumente exercida em órgãos públicos, como as prefeituras de municípios do Estado de São Paulo ou do País. Em função dessas possibilidades, o aluno do curso de Letras deve ter clara a diferença entre o bacharel e o licenciado. Este é formado para atuar em diversas áreas que utilizam a linguagem, mas cuja principal preocupação é o ensino.
Para ser professor, o futuro licenciado cursa disciplinas pedagógicas, que não estão presentes no bacharelado, como Psicologia da Educação, Didática e Práticas de Ensino. Ele é preparado para atuar no ensino médio e fundamental da língua materna e literaturas brasileira e portuguesa.
O bacharel em Letras, por sua vez, não pode lecionar, mas reúne condições de atuar como pesquisador em tradução, literatura, lingüística, e auxiliar em editoras, jornais e revistas, como revisor e editor de textos, por exemplo.

Na UNESP

Três caminhos diferentes para uma sólida formação

As unidades que oferecem o curso de Letras estão localizadas em Araraquara, Assis e São José do Rio Preto. Equipadas com amplas bibliotecas e laboratórios de idiomas, oferecem o estudo de língua e literatura brasileira e portuguesa e de um idioma estrangeiro. Há ainda a possibilidade de o aluno obter uma nova habilitação em língua estrangeira. Para isso, deve se inscrever simplesmente como reigressante, ou, no caso da Faculdade de Ciências e Letras (FCL) de Assis, como portador de diploma de curso superior.
A Faculdade de Ciências e Letras (FCL) de Araraquara é a única das três unidades da UNESP acima citadas que oferece a possibilidade de cursar o bacharelado. O aluno sai habilitado para uma das seguintes línguas e respectiva literatura: alemão, espanhol, francês, inglês, italiano (línguas modernas) e ainda grego ou latim (línguas clássicas). Entre as atividades propiciadas na unidade, estão os Laboratórios de Estudos Lexicográficos e de Estudos Diacrônicos do Português, a Semana de Estudos Clássicos e várias atividades de pesquisa proporcionadas pelos três Departamentos do curso: Letras Modernas, Lingüística e Literatura.
A FCL de Assis oferece alemão, espanhol, francês, inglês, italiano e japonês. No primeiro semestre, o aluno toma contato com noções gerais das línguas estrangeiras e, no seguinte, escolhe uma para habilitar-se. Ele pode ainda desenvolver trabalhos em programas de iniciação científica no acervo do Centro de Documentação e Apoio à Pesquisa (Cedap) da unidade.
No Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), em São José do Rio Preto, a habilitação se dá em Português e em uma língua estrangeira. As línguas oferecidas são inglês e espanhol, no período diurno, e francês e italiano, no noturno. As 34 vagas em cada período são distribuídas igualmente entre essas línguas estrangeiras. Os alunos organizam anualmente a Semana de Letras, da qual participam convidados de destaque na área, que em 2006 teve a 18a edição.