

Maria Dalva Silva Pagotto
Em tempos de cientificismo tecnológico é importante tratar sobre o que se entende por "área das Humanidades", incluindo as chamadas Ciências Humanas e Artes. As Humanidades apresentam um perfil distinto das Exatas e das Biológicas, naquilo que lhes é característico, mantendo daquelas algumas invariantes do que se compreende por saber científico.
A área das Humanidades tem como fio de prumo o relativo conceito de verdade, e suas relações com o conhecimento são sempre formas de exercício da possibilidade. Por isso, validade é a palavra-chave da área das Humanidades, que não postula nenhuma certeza mas se propõe a investigar aspectos dos fatos humanos em todas as variáveis que possam se transformar em matéria do saber.
As Ciências Humanas ou ciências do homem trazem no próprio nome a noção de mobilidade, de relatividade, pois encerram as condições marcadas pela palavra relação. Não se restringem às descrições dos fenômenos empíricos, mas se estendem às análises e, sobretudo, às interpretações dos resultados.
Nas Ciências Humanas, o conhecimento é um bem inviolável que procura não se deixar enganar pela informação. A ciência dos fatos humanos trata com objetos e métodos próprios, pois própria é sua natureza e o ser humano é sempre a matéria-prima de suas investigações.
Pertencem à área das Humanidades todos os núcleos dos saberes que saem do homem como objeto de estudo e voltam para o homem como objeto do conhecimento. São eles: saberes psicológicos, sociológicos, antropológicos,
filosóficos, econômicos, administrativos, judiciários e lingüísticos, literários, artísticos ou estéticos.
Por não terem a solidez e a fecundidade dos saberes físico-químicos, matemáticos ou até biológicos, os saberes da área das humanidades parecem para alguns, sob pena de falsa consciência, mais voláteis, menos consistentes. Isso não é verdadeiro. A impossibilidade de lhes extrair resultados imediatamente objetivos não significa que seus
resultados mediatizados pela análise e interpretação não sejam confiáveis.
Na ciência, seja exata, biológica ou humana existe, sim, uma impressão objetivada por meio de procedimentos demonstráveis, mas nas Ciências Humanas a objetividade não pode ser radicalizada, assim como a subjetividade não pode ser transvasada pelo senso comum.
Os que se abrem à análise e à interpretação do homem e das suas relações com o que ele produz afeiçoam-se às ciências humanas e com elas se identificam. Desafiadoras, as ciências humanas se caracterizam por tratar da busca de invariantes em fenômenos do comportamento humano que são essencialmente mutáveis e imprevisíveis. Nisso reside a sua complexidade e, ao mesmo tempo, seu fascínio.
Maria Dalva Silva Pagotto, psicóloga, licenciada em Psicologia e mestre e doutora em Educação, é docente do Departamento de Educação do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da UNESP, campus de São José do Rio Preto. Atua nos cursos de licenciatura e realiza pesquisas voltadas à Formação de Professores. |