
Ao saber como aliar a produção, a conservação ambiental e o desenvolvimento social, o engenheiro florestal é um dos profissionais habilitados a vencer alguns dos maiores desafios da sociedade brasileira no século XXI. Afinal, o Brasil, embora ainda conte com cerca de 5,1 milhões de km2 (60% de seu território) ocupados por formações florestais diversas, foi campeão mundial de desmatamento em 2004.
Restam apenas 7% de Mata Atlântica e menos de 5% de Floresta de Araucária, sendo que o cerrado caminha para o mesmo fim, com apenas 40% de sua superfície original intacta. As principais causas deste quadro são a ocupação desordenada do solo, a expansão da fronteira agrícola e a extração ilegal de madeira. E o profissional capaz de vencer o desafio de conciliar produção de bens e serviços com conservação ambiental é justamente o engenheiro florestal.
A Engenharia Florestal pode ser definida como a ciência que trata do ordenamento científico das florestas para a produção contínua de bens e serviços. Procura sistematizar conhecimentos aplicáveis ao manejo, à utilização e à proteção dos recursos florestais, de modo a obter os maiores benefícios para a sociedade com o mínimo de impacto no ambiente e com a conservação dos recursos para as gerações atuais e futuras.
O campo de atuação do engenheiro florestal é bastante amplo, englobando tanto a conservação como a utilização e gestão dos recursos provenientes das florestas nativas ou plantadas. Ele é responsável pela produção florestal, seja pelo reflorestamento (desde a semente até a floresta, passando pelo melhoramento genético), seja pelo manejo de florestas já existentes, plantadas ou nativas. Pode, também, atuar na comercialização dos produtos florestais, como a madeira, e dos recursos não-madeireiros, como látex, resinas, medicamentos, alimentos, fauna silvestre e plantas ornamentais.
O engenheiro florestal atua ainda na transformação dos produtos florestais, que engloba os setores de celulose e papel, madeira serrada e as indústrias de painéis à base de madeira (compensados, aglomerados, MDF, OSB, entre outros).O campo de trabalho vai além: inclui ainda a gestão dos recursos florestais (economia, administração, política e legislação florestal) e o uso das florestas para o bem-estar da sociedade urbana e rural.
Além de produzir, o engenheiro florestal deve saber também como conservar a biodiversidade de áreas protegidas, da fauna silvestre, os solos e os recursos hídricos. O engenheiro florestal é também o profissional mais habilitado a trabalhar na recuperação de áreas degradadas, no licenciamento ambiental e em estudos de impactos ambientais de empreendimentos.
O mercado tem se ampliado bastante, e profissionais com boa formação nas áreas de conservação e manejo de florestas nativas têm conseguido cada vez mais espaço. Além de atuar nas empresas florestais (tanto em atividades operacionais como em pesquisa e desenvolvimento), o engenheiro florestal pode atuar no setor público, em órgãos ambientais e secretarias da esfera federal, estadual ou municipal, institutos de pesquisa públicos ou privados e universidades.
Um setor que se amplia é o da iniciativa privada, em atividades de consultoria, prestação de serviços e na administração de pequenas e médias empresas. Um dos mercados que mais se expandem atualmente é aquele ligado ao terceiro setor, junto a organizações não-governamentais (ONGs).
| Na
UNESP |
Compromisso com a sustentabilidade |
O curso de Engenharia Florestal, oferecido pela Faculdade de Ciências Agronômicas, em Botucatu, tem à sua disposição uma diferenciada infra-estrutura. Como
requer intensa parte prática, os alunos contam com as três fazendas experimentais da UNESP – Lageado, Edgárdia e São Manuel –, que totalizam 2.500 hectares, sendo 600 deles de matas naturais.
Além disso, na região de Botucatu existem enormes áreas de reflorestamento, que abastecem com matérias-primas as diversas indústrias ali instaladas. Assim, os alunos têm contato imediato com a implantação de florestas artificiais e seu aproveitamento industrial.
A ênfase do curso é a sustentabilidade florestal. Há um programa de atividades curriculares e extracurriculares que promove uma formação crítica e sólida. O currículo contempla as áreas de conservação ambiental, produção e tecnologia florestal e desenvolvimento social.
O aluno precisa, também, desenvolver um estágio curricular supervisionado ou atividade de pesquisa em ciência florestal, ao final do curso. Estágios extracurriculares, participação em grupos de estudo, empresas juniores e atividades acadêmicas diversas dão ao estudante uma formação complementar que o diferencia no mercado de trabalho.
|

|